domingo, 14 de junho de 2009

O que é ser mãe?

Como foi prometido na edição dois do Psiu, apresentamos agora os depoimento das mães entrevistadas, na íntegra. Boa leitura!


Meu filho chama-se Igor, tem 3 anos e 10 meses.

A correria começa às 5h30min, quando acordo, me arrumo para o trabalho, preparo o lanche dele, acordo e arrumo meu filho para a Escola. Ele fica na escola pela manhã, e na creche a tarde, até a hora em que chego do trabalho, por volta das 18h20min. Deixo-o na creche às 6h20min, uma das educadoras o coloca na escola que fica ao lado às 7h30min, o pegam às 12h e o restante do dia ele fica por lá. Ele tem uma agenda escolar para o ano, mas durante o ano compro duas, porque sempre estou escrevendo, querendo saber como ele está se desenvolvendo, ou seja, é uma forma de estar presente, estando ausente. Aos fins de semana, me desdobro fazendo faxina e organizando o lazer. Meu marido divide as tarefas quando tem folga, é muito paciente com o Igor.

Gosto muito de trabalhar, estar envolvida com outras atividades e não ser só dona-de-casa, mas me cobro por não estar mais tempo com meu filho, fico acreditando que este dia chegará mesmo ele estando maior.

Os dias em que estou na Redes, a minha mãe, que mora na Maré, vai até a Pavuna onde moro, para ficar com ele até a hora do meu retorno.
Nos dias em que saio do trabalho e vou direto para casa, prossigo na jornada doméstica, pois não tenho auxiliar e meu marido só chega do trabalho por volta das 20h40. Faço o jantar, verifico a agenda escolar ou algum trabalhinho que tenha para ele fazer, preparo a mochila para o dia seguinte. Aí escolho os dias para as demais tarefas como: passar e lavar roupa, lavar banheiro, etc. Afinal, se fosse fazer todas as tarefas todos os dias, ficaria mais cansada do que costumo estar.
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Ser mãe é um aprendizado contínuo, afinal, filho não vem com manual. Quando ele nasceu tive depressão, chorava muito achando que não daria conta. Acordar várias vezes de madrugada era um martírio, não entendia seu choro, só a partir dos dois meses que fui entendendo que era uma fase, a primeira de muitas.
Depois disso tudo, fiquei mais forte, com fome de saber, de lutar para que ele tenha um futuro bonito. Escuto muito outras mães, assim aprendo um pouco mais, compartilho minhas angústias, confirmo se estou errando.... Ele me ensina que mesmo pequeno, já tem personalidade, que não posso ser ditadora como minha mãe foi comigo, me ensina a sentar no chão e deixar a imaginação correr solta, me cobra mais companhia, que tudo tem seu tempo, me ensinou a contar histórias, muitas mirabolantes, enfim, não consigo me ver sem ele. Meu amor por ele é muito intenso. Ele tem me pedido uma irmã, mas decidi que para ter outro filho preciso estar com melhores condições, trabalhar só 6 horas por dia, assim não vou me cobrar tanto....espero que daqui para 2011 eu consiga isto.


Claudia Santos, 32 anos.
Conselheira Estratégica da Redes, conselho composto por fundadores da instituição. Há três meses, é responsável pela organização do acervo documental da Redes. Além disso, trabalha 40h semanais como Arquivista pleno (terceirizada) na Petrobras.







Bem, como professora, dou aula de uma disciplina sobre Família e gênero e sempre trabalho com meus alunos, a partir da linha teórica que me vinculo, que a família, assim como o gênero, é uma constituição social, que se altera ao longo dos tempos e de acordo com as relações sociais vigentes na sociedade.

Partindo desse princípio, sempre defendi que amor de mãe é construído, assim como o tão falado “instinto materno". Depois que engravidei, meus alunos continuam perguntando se acho a mesma coisa ou se mudei meus conceitos e costumo dizer que estar em processo de ser mãe só me confirma o que antes já pensava. Essa relação é construída.

Por isso, para mim, o momento da espera da Sofia é um momento de aprender a amar, sem mesmo ver, apenas por senti-la mexendo e se revirando dentro de mim. Não é um amor automático, mas que está sendo construído no dia a dia, gestado (assim como a própria gravidez). Por isso, esse momento de gestação é tão importante, pois é um tempo de ir se adaptando a uma nova realidade, de ir construindo e desenvolvendo um outra sensibilidade, que passa necessariamente pelas relações que estabelecemos ao nosso redor. Ter um marido, companheiro, assim como amigos e parentes que sejam presentes, que torçam e vibrem com a gente e fundamental para a construção dessa identidade de ser mãe.

Apesar de ser difícil para uma mulher como eu ter calma e tranquilidade para curtir esse momento, tenho, dentro do possível, tentado fazer isso. Essa é uma sensação maravilhosa, organizar a vida e tudo para receber um novo ser, pensar em mudar a vida e alterar hábitos, costumes e revisitar valores, tudo a espera da Sofia. Esse processo, em si, já me ajuda a ir construindo uma relação, que ao mesmo tempo que é de afeto, amor, é também de medo e insegurança, conflito por tantas mudanças.
Estou adorando estar passando por esse processo e estar me construindo como mãe. Agora meu grande esforço é controlar a ansiedade em ver seu rosto e saber como ela é. Assim me sinto já na 31 semana de gravidez, a espera da Sofia.


Ps. Sofia nasceu no dia 30 de maio de 2009.

Eblin Farage
Mestre em Serviço Social, professora da Escola de Serviço Social da UFF e uma das diretoras da Redes de Desenvolvimento da Maré.





Sou casada há quase 20 anos, tenho um filho maravilhoso, Bruno, de 15 anos, que é razão do meu viver!!

É muito difícil conciliar as atividades do dia-a-dia com as do trabalho e ainda dar conta de uma série de professores exigentes na vida acadêmica! Não fosse a compreensão do meu marido, não conseguiria fazê-lo.

Meu filho só me dá orgulho. Estuda no colégio Prefeito Mendes de Morais, na Ilha, onde cursa o primeiro ano do ensino médio, é obediente, me respeita e me dá valor, graças a Deus.

Vale muito a pena ser mãe. Com todas as preocupações e afazeres que um filho exige dos pais, é reconfortante saber que geramos uma vida e que ele está aí, saudável, com personalidade e caráter, quando nasceu tão frágil e dependente, saber que Deus nos permitiu esta dádiva e que procuramos cumprir da melhor forma possível. A maternidade é indescritível. Só mesmo no dia-a-dia é que podemos ter o amor materno crescendo e evoluindo. Todas as mães são abençoadas!! Não se passou um dia sequer desde 08/02/1994 que eu não tenha dito pro meu filho que eu o amo. Sem exageros... é muito bom ter este privilégio. E dar mais valor ainda a minha mãe, por me ter gerado e se dedicado tanto. Aprendi a ser mais coerente. Mais precavida. Lembro que na segunda semana depois que ele nasceu, eu fui atravessar a rua no Centro da Cidade, e tive o ímpeto de correr, antes do sinal fechar. Mas aí, me dei conta que tinha gerado uma vida e que ele necessitava de mim para criá-lo e hesitei. E voltei com o pé à calçada e esperei que o sinal fechasse para os carros. Foi a primeira vez que me dei conta da real mudança que a maternidade me trouxe. Nunca esqueço aquela experiência!

Elma Avelino da Cruz Simões, 41 anos.
Graduanda da UFRJ, Português-Inglês. Professora de Português do Preparatório 6ª série da Redes da Maré. Ministra aulas duas vezes por semana e trabalha diariamente, à noite, no curso pré-vestibular, onde é secretária e ajuda na administração geral do curso.

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